O Meu Pai Tem Nome é uma campanha nacional realizada pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (CONDEGE), em parceria com as defensorias públicas de todo o país. No dia 1º de agosto, aconteceram mutirões simultâneos em todo o Brasil e, aqui no Rio Grande do Norte, não foi diferente.
Para pessoas como Márcio e Iuri, a ação representa a concretização de um sonho, a esperança e a certeza de ter o nome na certidão. Iuri era órfão de pai, e cresceu vendo em Márcio alguém que ia além da figura de um tio.
Os anos foram passando e o vocativo "pai" se tornou cada vez mais comum, até fazer parte da rotina. O amor já havia feito deles pai e filho; faltava apenas o reconhecimento da Justiça para que esse vínculo fosse efetivado legalmente. O interesse em participar do Dia D do Meu Pai Tem Nome surgiu após assistirem à divulgação do mutirão nas redes sociais. A partir disso, encontraram a oportunidade de realizar esse sonho.
"Por meio do Meu Pai Tem Nome, eu vou conseguir realizar esse sonho, tanto o meu quanto o de Iuri, de ter o meu sobrenome na certidão. A gente sempre foi pai e filho, sempre consideramos esse laço, mesmo sem ser de sangue. Agora vamos reconhecer esse vínculo legalmente", disse Márcio.
Outra situação de destaque no mutirão foi a história de Lúcia, que, aos 31 anos, tomou a iniciativa de levar o pai de consideração para realizar um reconhecimento de paternidade por meio de exame de DNA.
Lúcia passou anos sem saber quem era seu pai biológico. Cresceu ao lado do pai de sua irmã, a quem sempre tratou como pai socioafetivo. Sua mãe afirmava que o pai da irmã também era seu pai, mas a dúvida que ela carregava nunca deixou de existir.
A oportunidade de buscar essa resposta veio com o Meu Pai Tem Nome. Para Lúcia, foi a chance de comparecer ao mutirão ao lado do pai afetivo e verificar uma possível paternidade biológica. No entanto, para ela, o verdadeiro vínculo já havia sido construído ao longo de muitos anos de amor.
Para Ricardo Silva, pai afetivo, o resultado do exame apenas confirma uma situação. O mais importante é o amor que os une.
"Mesmo que o resultado do exame não seja positivo, o importante é o vínculo que já temos. Para mim, ela sempre será minha filha. Se não for por esse caminho, vamos seguir pela paternidade socioafetiva", destacou.
A quinta edição do Meu Pai Tem Nome reuniu mais de 100 pessoas somente em Natal para oferecer serviços de reconhecimento de paternidade socioafetiva, exames de DNA, orientação jurídica, conciliação e vacinação.
O projeto é essencial para reduzir o número de crianças, adolescentes e adultos registrados sem o nome do pai, um problema que ainda afeta milhares de famílias, não apenas no Rio Grande do Norte, mas em todo o país.