A comunidade quilombola Gameleiras, localizada em São Tomé, no interior do Rio Grande do Norte, recebeu, nesta terça-feira (4), a 5ª edição do projeto DPE Mulher. A ação foi realizada em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), por meio do projeto Dandara: Vozes Femininas Contra a Violência, levando atendimentos jurídicos, assistência social, saúde e ações de cidadania aos moradores.
A iniciativa também marcou as comemorações pelos 20 anos da Lei Maria da Penha e abriu a programação do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A ação reforça a importância da prevenção e do acesso à informação, especialmente diante do cenário de violência registrado no estado. Segundo dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine), da Polícia Civil, o Rio Grande do Norte contabilizou mais de seis mil ocorrências de violência contra a mulher apenas em 2025.
As atividades aconteceram no Museu Quilombola Gídeo Véio, espaço que preserva a memória do fundador da comunidade, um homem negro ex-escravizado que encontrou refúgio na região em busca de liberdade. O local simboliza a resistência e a luta histórica da população quilombola, tornando-se um cenário significativo para uma ação voltada à promoção de direitos.
Para o defensor público-geral do Estado, Sidney de Castro, levar os serviços da Defensoria para o interior fortalece o acesso à justiça e aproxima a instituição da população.
"A interiorização dessas ações é fundamental para garantir que a Defensoria Pública esteja cada vez mais próxima da população. Ao descentralizar os serviços e chegar aos municípios mais distantes, ampliamos o acesso à justiça, promovemos direitos e asseguramos que cidadãos e cidadãs tenham atendimento qualificado, independentemente de onde vivem", destacou.
Durante a programação, os moradores tiveram acesso a atendimentos jurídicos com defensoras e defensores públicos, apoio psicológico e assistência social. Também foram oferecidos vacinação, testes rápidos, doação de roupas e cerca de 30 agendamentos para emissão da carteira de identidade, em parceria com a Polícia Científica do Rio Grande do Norte.
A coordenadora do Núcleo Especializado de Defesa da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (Nudem), Defensora Pública Disiane da Costa, destacou que a informação é uma das principais ferramentas para prevenir a violência.
"Muitas vezes, a violência começa de forma silenciosa e acaba sendo naturalizada. Por isso, é tão importante conversar sobre esse tema e levar informação às mulheres. Quando elas conhecem seus direitos e sabem onde encontrar apoio, ficam mais fortalecidas para tomar decisões e interromper esse ciclo. Esse é um compromisso permanente da Defensoria Pública", afirmou.
A ação contou ainda com o apoio da Liga Contra o Câncer, da Secretaria de Saúde de São Tomé, do Museu Gídeo Véio, da Polícia Científica do Rio Grande do Norte, da Coletiva Nísia Floresta e do Projeto Arara Social.