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Justiça suspende descontos que tiravam metade do benefício do filho autista de mulher não alfabetizada após ação da DPERN

DPERN atuou no TJRN para restabelecer proteção contra empréstimo contestado, fechado inteiramente pelo WhatsApp

03 de Setembro de 2026


Justiça suspende descontos de empréstimo que comprometiam metade do benefício de criança com autismo após atuação da DPERN - Foto: Magnific

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPERN) obteve, no Tribunal de Justiça (TJRN), a suspensão liminar dos descontos de um empréstimo pessoal contestado por uma assistida atendida pela 16ª Defensoria Pública Cível de Natal. A decisão do TJRN interrompe os efeitos de uma sentença de primeiro grau que havia negado o pedido e restabelece, em caráter provisório, a proteção que a mulher já tinha obtido anteriormente na Justiça.

Segundo o processo, a mulher não é alfabetizada, e o contrato de empréstimo pessoal foi no valor de R$ 4.823,50, parcelado em 15 vezes de R$ 910,80 e formalizado inteiramente pelo aplicativo de mensagens Whatsapp.

O trabalho da Defensoria foi necessário por conta do impacto financeiro na única fonte de renda da família que é o benefício de prestação continuada (BPC/LOAS) do filho com autismo de três anos. A DPERN também afirmou que os descontos comprometiam metade do valor do auxílio, atingindo o mínimo para sobrevivência da família.

Mesmo em uma discussão mais restritiva no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a relatora destacou que a contratação seria irregular, pois não havia evidências de que as formalidades mínimas de proteção tenham sido observadas. Além disso, foi constatado juros de 18% ao mês que superam em quase três vezes a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central, reforçando a abusividade.

Já com a suspensão dos descontos garantidos pela DPERN, foi requerida também a retirada de eventuais restrições de crédito (SPC, Serasa e SCR/Bacen) em nome da mulher.

A DPERN alerta a população para que redobre a atenção antes de fechar empréstimos e outros contratos financeiros, especialmente por aplicativos de mensagens. É importante desconfiar de propostas muito rápidas ou feitas apenas por WhatsApp, ler (ou pedir ajuda para ler) todo o contrato antes de assinar, e verificar a taxa de juros.

"Esse caso mostra como contratos fechados sem as formalidades mínimas de proteção podem comprometer a subsistência de famílias inteiras, especialmente quando envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade e crianças com deficiência. A atuação da Defensoria foi essencial para restabelecer a proteção que essa mulher já tinha conquistado na Justiça", afirma o defensor Marcus Alves, responsável pelo caso.

Em caso de descontos indevidos, contratos suspeitos ou dificuldade de acesso à leitura e escrita, a orientação é procurar a Defensoria Pública para verificar a legalidade da contratação e, se necessário, buscar a suspensão dos descontos e a reparação dos danos.


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